Médicos e as Redes Sociais

O uso das redes sociais, como Facebook, Instagram ou Linkedin, está amplamente disseminado no Brasil. E entre os médicos e profissionais de saúde não é diferente.

Os profissionais já demonstram familiaridade com essas ferramentas e costumam usá-las para se conectar. Mas quais os limites do que pode ser compartilhado na internet?

O Conselho Federal de Medicina, através da Resolução 2.126/2015, elaborou algumas diretrizes que definem o comportamento adequado aos médicos nas redes sociais, assim como na relação com publicidade e imprensa.

Porém, o texto não abrange todas as situações em que os profissionais podem acabar se colocando e, por isso, bom senso é fundamental ao postar qualquer conteúdo, sejam fotos, imagens, vídeos ou áudios que caracterizem sensacionalismo, autopromoção ou concorrência desleal.

1. Dê preferência a ter um Perfil Profissional – Fan Page.

Para divulgar sua clínica ou consultório, ou mesmo se quiser manter contato com pacientes, o ideal é ter uma página profissional, no caso do Facebook – uma Fan Page -. Nessa página, você pode compartilhar informações educativas, informativas e também pode ser sobre o funcionamento e serviços.

É preciso estar atento para não ferir as regras do CFM, que vetam autopromoção, consultas, diagnósticos ou prescrições, bem como a divulgação de métodos ou técnicas não reconhecidos pelo órgão.

2. Cuidado com a veracidade das informações.

Independentemente de o seu perfil ser pessoal ou profissional, os conteúdos que os médicos endossam são recebidos pelas pessoas como verdade. Checar se a informação que está compartilhando é verdadeira e ponderar se ela pode ser dita em qualquer ambiente é um bom ponto de partida.

Nas redes sociais, publicações inverídicas ou desatualizadas se alastram facilmente, e postar uma informação errônea pode minar sua credibilidade.

3. Reserve suas opiniões e experiências particulares.

Pontos de vista sobre política, esporte, cultura e, especialmente, procedimentos e condutas médicos não precisam ser postados abertamente.

É possível compartilhar estes comentários apenas com as pessoas de seu círculo de amigos e familiares, com quem tenha intimidade de diálogo, evitando situações de desconforto ou constrangimento com algum paciente ou mesmo colegas com opiniões divergentes.

4. Evite pessoas que não estejam no seu círculo de amigos e familiares.

Caso seja adicionado por pacientes ou colegas com os quais não tenha muita intimidade, convide-os a adicionar sua página profissional, por isso é importante ter uma.

Quanto mais pessoas você adicionar ao seu perfil pessoal, mais cuidado e restrições você terá de mostrar, como fotos de férias, aniversários da família ou no bar com os amigos, com um copo na mão, muito menos fumando.

Por mais que o médico seja um ser humano como outro qualquer, os pacientes não querem vê-lo associados a vícios. Frases comemorando a sexta-feira ou a chegada de feriado também podem ser interpretadas com falta de comprometimento com o trabalho. Reserve a amizade virtual a quem é de fato amigo.

5. Evite selfies com os pacientes.

O CFM proíbe a divulgação desse tipo de fotografia em situações de trabalho e atendimento. Trata-se de uma decisão que protege a privacidade e o anonimato inerentes ao ato médico.

O profissional pode aceitar tirar selfies com pacientes, numa situação banal, que não configure propaganda de seu trabalho, mas a iniciativa não deve partir dele.

E lembre-se: para compartilhar é sempre necessária a autorização do paciente, e não pode conter comentários elogiosos a seu trabalho, para não ferir a resolução do CFM.

6. Atendimento médico só no consultório.

O Código de Ética Médica veda ao profissional médico consultar, diagnosticar ou prescrever por qualquer meio de comunicação em massa, redes sociais ou através de aplicativos e outros à distância.

Portanto, lembre-se de que, em caso de abordagem de pacientes nas mídias sociais, a função do médico é meramente educacional e de esclarecimento.

7. Cuidado com a troca de experiências em grupos nas redes sociais.

Por mais que as redes sociais ofereçam a formação de grupos fechados com temas específicos, como discussão de casos clínicos, em respeito ao sigilo e também para evitar boatos e mal entendidos, o ideal é que o intercâmbio de experiências ocorra por meio de mensagens restritas.

8. Depois de publicado é difícil ser apagado.

O que você publica fica documentado e pode ser disseminado rapidamente, fugindo assim do seu controle. Qualquer pessoa, que tenha acesso a sua publicação por fazer um print screen, fazer download da imagem ou foto e usar isso contra você.

Portanto, fique atento às suas postagens na internet para não se arrepender mais tarde. Use linguagem adequada e sempre reflita antes de fazer uma publicação. Na dúvida, não publique.

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